2019/2020: A experiência do 3º período vista pelos alunos

No início de um novo ano letivo (e que ano letivo!), vamos hoje iniciar a publicação de textos de opinião elaborados por alunos da Escola João Afonso de Aveiro, no final do ano letivo anterior, acerca da experiência por eles vivida no 3.º período. 

Aulas em casa vs. aulas presenciais



Da China, surgiu um vírus que nos obrigou a continuar as aulas e o nosso estudo em casa. Foi um tempo de mudanças, tanto para os alunos, como para os professores e mesmo para os pais. Todos tiveram de se habituar a esta nova realidade. Esta forma de ensino teve os seus pontos positivos e negativos e agora, que começam as férias de verão, está na hora de fazer uma comparação entre os dois tipos de aprendizagens.

Primeiro, vou falar sobre a organização do estudo, pois a meu ver organizei-me melhor nas aulas em casa do que em tempo de escola. Nas aulas presenciais, eu não marcava os trabalhos que tinha de fazer, lembrava-me (normalmente) de cabeça. Já em casa, eu marcava tudo num calendário. Este planeamento também foi muito importante porque no estudo em casa passámos a ter mais trabalhos do que na escola, o que exigiu uma melhor organização.

Em segundo lugar, quero referir a forma de tirar dúvidas, pois, na escola, podíamos falar com os professores presencialmente, nas aulas ou nos intervalos, mas em casa tínhamos de escrever ou dizê-las nas videoconferências. Uma dúvida fica sempre mais bem explicada se for “cara a cara”, porque por mensagens, podemos escrever uma coisa e o nosso recetor pode estar a perceber outra; é mais complicado.

Em terceiro lugar, quero falar sobre as aulas por videoconferência. Considero que foram úteis para o esclarecimento de dúvidas, para a correção de fichas e para dar matéria, mas as videoconferências eram, muitas vezes, prejudicadas por falta de WI-FI, alunos que desligavam o microfone dos colegas ou dos professores…

Em quarto lugar, queria referir a plataforma Teams. Ela teve os seus pontos positivos e negativos. Por um lado, eu achei a plataforma ótima, porque ela tinha um lugar específico para cada necessidade. Quando queria falar com algum colega ou professor em privado, ia às “Conversas”. Quando queria entregar algum trabalho, ia às “Tarefas”, que estavam organizadas por disciplinas, assim como as “Equipas”, onde eu podia partilhar uma dúvida com toda a minha turma; o “Calendário” tinha todas as minhas aulas síncronas organizadas por dia e hora. Mas por outro lado, a plataforma tinha algumas coisas que precisavam de ser melhoradas e isso aconteceu, por exemplo, com o número de pessoas que podiam ser visíveis no ecrã (no início só quatro pessoas eram visíveis, depois, mais tarde, aumentaram para nove). Outras coisas era preferível não terem alterado, como a entrega de trabalhos em atraso (no final do período, já não podíamos entregar os trabalhos em atraso).

Em penúltimo lugar, quero referir, brevemente, a avaliação neste período. Em algumas disciplinas, houve mini-testes, mas nada comparado com a quantidade de testes que tínhamos na escola. Alguns professores organizaram questionários sobre a matéria ou sobre as atividades. Nos trabalhos, era muito útil quando os professores deixavam um comentário a dizer o que podíamos melhorar. Neste período, a avaliação contou mais com a nota dos trabalhos e com a participação nas aulas online.

Por fim, queria só deixar um comentário sobre a telescola, o #EstudoEmCasa, que teve os seus altos e baixos. Os pontos altos foram o facto de ser para o 5º ano e o 6º ano, pois às vezes ajudava-nos a recordar matéria passada, e também por ser uma aula-extra, com exercícios e maneiras novas de se explicar os conteúdos. Mas por outro lado, ao juntar 5º e 6º anos, por vezes era confuso e os professores ficavam com pouco tempo para abordar tudo o que era preciso. Estavam a dar aulas na televisão pela primeira vez e isso notava-se na atrapalhação.

Em suma, na minha opinião, as aulas presenciais são muito melhores e mais produtivas, mas a solução arranjada, desde as plataformas ao #EstudoEmCasa, foi muito boa e tornou-me mais autónoma e mais organizada.

Texto e foto: Ana Leonor Pais, nº4, 6ºI, Escola Básica João Afonso de Aveiro, Clube de Jornalismo (julho de 2020).